14 fevereiro 2010

A consciência e as rotas de fuga



Eram 2h da madrugada, mas parecia dia na avenida da folia!
O som, as luzes, as ansiedades e os exageros decoravam a noite, meio constrangida pela súbita invasão carnavalesca.

O ser externo é craque nas rotas de fuga da consciência, por não encontrar respostas às suas perguntas em frente ao espelho. Assim, a droga, o álcool, e os demais desvios que o levam para longe de si, entre eles a farra carnavalesca, são rotas freqüentes utilizadas pelo ser humano para desencontrar-se de suas questões.

O hábito do fumo tem seu início ligado a essa questão. É só acender um cigarro cada vez que a consciência quiser acordar. E assim vamos rolando e enrolando nossa vida, colocando a felicidade, nosso objetivo primeiro, num local cada vez mais distante de alcançar, trocando a busca consciente e progressiva do bem estar por momentos fugazes de falsa alegria.

O que denuncia a impropriedade do encurtamento do caminho é a ressaca que chega para brindar o dia seguinte, prova irrefutável do equívoco na escolha da companhia.

Já, se "nos escolhermos" como a avenida onde desfilará o primeiro grupo das questões mais importantes para alcançar a liberdade, a evolução e a felicidade, encontraremos no dia seguinte a seqüência do caminho que nos levará às nossas perguntas atuais. É meio caminho andado - obrigatório - para chegar às respostas.

Este processo eleva nosso nível de consciência e cada vez mais podemos abrir mão das pseudo-soluções que entorpecem nosso mecanismo de escolha intuitiva e escondem as sutilezas das sincronicidades que podem nos levar adiante.

Isso feito, nada mais nos tirará o sono, nem mesmo o som estridente do trio elétrico faceiro, que disputa o protagonismo da noite enfeitada com todas as outras atrações carnavalescas presentes. Nem mesmo a participação física efetiva nas consideradas rotas de fuga constituiria atraso no progresso do iniciante nos fundamentos do Eu, desde que consciente da transitoriedade e do caráter supérfluo do evento.

TaVar

10 comentários:

Laísa Boaventura disse...

Muito bom!
Conversava algo parecido com isso num outro dia com alguém que precisava entender sobre fulgas e o enfrentamento de suas questões... bom, não adiantou muito, mas vamos nós aqui na nossa avenida interior esperando o próximo bloco passar (ou a próxima questão...rs)
Parabéns pelo texto!

Taddeu Vargas disse...

Olá Laísa, muito obrigado pela visita e pelo elogio. Esse período carnavalesco propicia o encontro com nossas questões. É uma boa oportunidade para encarar as nossas questões. Volte sempre! Abração.

*Teresa Cristina* disse...

Olá Taddeu...seja bem vindo no meu caminhar!
adorei seu blog e este post muito bom!
Bem gosto de brincar carnaval, mas de quatro anos pra cá nãosai mais....não q tenha me tornado contra o carnaval, mas sou contra td aquilo que fizeram dele, isto sim.
É bom dançar, estar entre amigos, mas por descaso e descuido dos outros que desconhecem o que é isto e fizeram desta festa a festa das sensações e dos prazeres desmedidos, quem não tem nada haver com isto sempre acaba pagando o pato.
Pq aonde tem gente irresponsável sempre tem confusão e de confusão quero dstância!!!
Não curto bebida, drogas e gente sem noção....e infelizmente é com este tipo de gente que mais se encontra, prefiro ficar em casa...leio livros, vejo filmes, enfim...procurar alternativas é o jeito!
bjss♥

REGINA GOULART SANTOS disse...

Olá, Taddeu Vargas.
Gostaria de agradecer sua presença e comentário nas "Entrelinhas".
Gostei demais do seu espaço, "Devaneios de um Marujo", e doravante, estarei sempre por aqui.
Que belo texto para reflexões.
As questões que envolvem o prazer durante o carnaval, são reflexos dos graves problemas sociais, e que com o passar dos anos, só tendem a piorar, caso nada fôr feito, e como você bem afirmou, devido a forma desmedida que o prazer é encarado, o que configura uma inversão total de valores.
Gostava mais do Carnaval de outrora, das marchinhas, dos blocos das cidades de interior, daquela alegria comedida...No entanto, gosto muito de assistir os desfiles pela televisão, por sua beleza e esplendor.

Um beijo de luz no coração e alma

Regina Goulart

Taddeu Vargas disse...

Olá Teresa Cristina, seja muito bem-vinda ao blog. Muito obrigado pela visita e pelas referências elogiosas.
O carnaval em si não faz mal a ninguém. A questão é: as pessoas que usam esse tipo de oportunidade para promoverem uma espécie de blecaute na consciência, certamente não estão escolhendo fazer o que decidiram realizar, quando vieram a esse espaço físico para terem uma vivência humana.
É legítimo, pois a cada um é dado o livre arbítrio para escolher o que melhor lhe aprouver.
No entanto, do ponto de vista da evolução e da busca da felicidade, talvez não seja a melhor escolha.
Beijo enorme, volte sempre!

Silvia Masc disse...

Há quem busque colocar o "seu bloco na rua" a qq. preço, e se a ressaca for útil, que venha a ressaca.
beijinho

Queen Of Black Cokada disse...

O que você escreve simplesmente me cativa :)

Beijos! Sucesso...

Taddeu Vargas disse...

Olá Regina, muito obrigado pela visita. O carnaval, assim como várias outras atividades humanas, são inofensivos por si próprios. O que manda é a consciência de quem participa destas atividades. Ver no carnaval uma forma de compensar a solidão, a tristeza, e outros desencontros emocionais, é pedir uma ressaca dessas questões, de forma ampliada, na quarta-feira de cinzas. Volte sempre! Abraço. enorme.

Taddeu Vargas disse...

Obrigado pela visita Sílvia. Volte sempre! Abração.

Taddeu Vargas disse...

Olá Lays (Queen Of Black Cokada), muito obrigado pela visita e pela frase carinhosa. Sua presença aqui também me cativa! Beijo enorme.