15 janeiro 2011

Abaixo uma das crônicas que farão parte do livro 
Cem Crônicas, do material ao espiritual. Ela foi escrita hoje e faz parte de um conjunto de textos que focam diretamente, de forma mais didática, a questão central do livro, que é a convivência de dois aspectos distintos em cada um de nós: o físico e o espiritual.
TaVar
taddeu vargas
Perdas
taddeu vargas
Algumas horas após postar, no blog deste livro, a crônica Tragédia e Virtualidade, onde abordei a catástrofe climática de janeiro de 2011, que ceifou centenas de vidas em vários municípios da Serra Fluminense, focando  a dificuldade de aceitação das perdas pelo ser humano, recebi a notícia do falecimento de uma pessoa muito próxima de minha família.

Por mais que entendamos o que ocorre quando o corpo físico sucumbe, diante das circunstâncias que cercam a existência humana, o choque da perda é muito forte. O sentimento de ausência que o falecimento acarretará e a carga cultural que carregamos desde a infância, que indica a morte com um rompimento definitivo, pesam muito emocionalmente.

Ao ouvir, por telefone, meu filho, abalado, relatar o acidente que vitimou esse familiar, senti um aperto no coração, lamentando muito a partida precoce dele, mesmo tendo absoluta consciência da vida espiritual e da impossibilidade do evento morte influir sobre a continuação da vida. Por décadas encarei a morte como um fim e em alguma parte de mim esta verdade ainda ressoava.

Mesmo assim, horas depois, já equilibrado, conseguia ver a situação da maneira como ela efetivamente acontecia no mundo das verdades eternas e passava a enviar, ao espírito do ente querido, a energia branca, carregada de amor divino, que iria ajudá-lo nessa transição. O mesmo fiz para com os familiares mais próximos, que naquele momento deveriam estar a velar o corpo.

Ainda levará algum tempo para que a humanidade encare a morte como um evento renovador da vida e não de interrupção da existência, como é visto hoje. E isso ocorre pelo excessivo foco no corpo físico, na mente humana e na personalidade, que impedem uma visão mais abrangente do ser que somos.

A idéia de escrever este livro surgiu justamente desta questão. Para entender o ser físico que chamamos de "eu" e compreender nossa função aqui na vida terrena, precisamos "pensá-lo" como parte de um ser maior, mais complexo, mais antigo e muito mais perfeito. Criei até um nome para essa parte mais iluminada e inteligente do meu ser, para poder estabelecer com ele um diálogo e com isso aprender as verdades que não vejo.

Quando você se deparar com um tal de Teddy nas crônicas deste livro, encontrou-o.
taddeu vargas
Taddeu Vargas

6 comentários:

Reflexo d Alma disse...

Muito interessante sua visão.
Mas penso que os maduros na fé, sentem não a morte,
mas sim a partida ocasionada por atos traumáticos. Meu amigo mora em uma das cidade afetadas, moro distante dele 700 kilometros. Na terça nos falamos por telefone as 15 horas, ele disse qu por la chovia nos despedimos ele voltou ao trabalho e eu tambem. Somente tive acesso ao micro e a tv a noite na quarta feira o caus ja estava instalado.Não falei mais com ele ate hoje e somente na sexta algo parecido com sinal de fumaça me aquietou.Não tenho problema com a morte em si. Mas me assustam catastrofes que seifa não uma vida,mas muitas. Não derruba casas em comunidades carentes,mas sim tudo que a força da natureza puder levar...ai vão pais,mães, mulheres grávidas, crianças pequenas...
Cheguei a pensar que meu amigo havia morrido com sua familia, pois a cidade dele acabou...
Em fim...as vezes não basta aceitar a morte...temos que exercitar conviver com o
i
nes
pe
ra
do.
Bom vir aqui,
desculpa o grande comentários,pela primeira vez senti-me a vontade para falar sobre o assunto.
Bjins entre sonhos e delírios

Helinha disse...

Olá, Taddeu!

Uma bela reflexão!

O livro, com certeza, será muito interessante...

Mesmo evoluindo muito, mesmo compreendendo que a morte do corpo físico não é o fim, mesmo crendo... é impossível não haver dor, sofrimento e desespero de uma mãe, diante do corpo de seu filho morto...

Qualquer mãe ou pai teme por perigos que rondam seus filhos e treme só em pensar em sua morte...

É inevitável...

Talvez, nem mesmo o Teddy seja tão desapegado assim, não é?

^^

Beijos, querido!

Helly disse...

Caminhando para essa vivência, Taddeu.
Acredito que a morte não existe, é apenas uma passagem para outra dimensão.
Acredito que somos espirituais vivendo experiências humanas e não o contrário, como a maioria.
Mas quando realmente vivenciamos isso com um ente querido, é ainda muito complicado agir com essa consciência.
Mas tenho aprendido muito com suas aulas virtuais.
Deus te abençoe sempre,
Helly

Helinha disse...

Olá, Taddeu!

Uma bela reflexão!

O livro, com certeza, será muito interessante...

Mesmo evoluindo muito, mesmo compreendendo que a morte do corpo físico não é o fim, mesmo crendo... é impossível não haver dor, sofrimento e desespero de uma mãe, diante do corpo de seu filho morto...

Qualquer mãe ou pai teme por perigos que rondam seus filhos e treme só em pensar em sua morte...

É inevitável...

Talvez, nem mesmo o Teddy seja tão desapegado assim, não é?

^^

Beijos, querido!

Selena disse...

Saudações Taddeu.

Muito interessante essa sua abordagem que diz respeito "a esta fase" de um ciclo.

Disseste: "Ainda levará algum tempo para que a humanidade encare a morte como um evento renovador da vida e não de interrupção da existência" (...)

Creio que nada deixa de existir!
Tudo o que é...sempre foi...talvez de maneira diferente...tudo continua sendo ... como um ciclo que se renova, se transforma, creio no infinito pleno,mesmo que de enfoques, ponto de vista divergentes...tudo converge a um único ponto.

Grata por sua visita.

Celêdian Assis disse...

Olá!

Texto alentador e com uma visão muito evoluída sobre a prática do desapego, pelo que nos parece impossível aceitar, a perda da presença física de alguém que amamos. Contudo, as perdas são necessárias e cabe a nós buscar discernimento, o que nem sempre é tarefa fácil, limitados que somos para entender sobre a efemeridade de nossa estadia por aqui.
Gostei imensamente dos textos que encontrei aqui.
um abraço,
Celêdian