19 abril 2009

O Primeiro Outono


O frio da noite gritou, devolvendo-me à rua que me trazia de volta ao apartamento, no centro da cidade que adotei. 
No meu devaneio eu andava pelas ruas do outono da minha Porto Alegre. Nisso elas se parecem muito. Nesta época do ano ficam frias ao anoitecer. 
O caminho que eu fazia não me levava às minhas lembranças e saudades, mas à cama da pousada onde vivo os meus sonhos de ontem.
No cenário daqueles sonhos habitavam meus amores; hoje muitos devaneios e outros sonhos invadem minha consciência, desenhando uma imagem de futuros tempos naquele lugar, talvez no outono da minha vida.
Este cenário não tem endereço, mas existe na quase materialidade da minha percepção ...e lá habita o amor. 

18 abril 2009

Mulher Menina


Quando a conheci, era uma mulher feita, madura, sensata ...cara de professora!
Passados uns meses, descobri uma jovem cheia de sonhos, com aura de energia iniciadora.
Agora, beneficiado pela presença quase cotidiana, fui surpreendido por uma criança sapeca e amorosa. Estas são ela! 
O prêmio que recebo pelo ingresso na maturidade dos dias meus.
Claro que tem defeitos. Me perdoem por não lembrar de nenhum no momento. Evidente que comete equívocos, um deles é me amar, por que Anjos deviam namorar Anjos!
Quando suas virtudes começaram a envelhecer alguns de meus paradigmas e oferecer novas visões sobre questões que eu descuidara, percebi os entalhes da artista redesenhando meu ser.
Talvez o compromisso cármico da lapidação em andamento explique a inocorrência de uma separação, que depois da obra acabada, então desocorrerá pelo novo formato dado ao beneficiado marujo.  
  

12 abril 2009

Escrevendo, chorando...



Agora, mesmo escrevendo, continuo chorando...

A Escolha


O espírito, do alto da lucidez que a Luz da dimensão outra lhe proporciona, observa o plano onde se dará o reencontro com a carne, e projeta seu querer, baseado no programa de crescimento que desenhou para si.
Quando aqui na terra, não lembra desse momento vital de escolha de seu destino, e vagueia pelos desacertos humanos até perder o rumo planilhado naquele momento de Luz vivido em seu corpo espiritual.
Para que esse ciclo seja rompido, as escolhas daqui devem se alinhar com as de lá, harmonizando os objetivos espirituais e humanos.
Esta é a grande questão.
Como as escolhas anteriores já estão postas, resta ao ser físico acertar nas decisões a serem tomadas em nosso mundo terreno, conduzindo sua vida de acordo com seu verdadeiro querer, e, assim, alcançar a felicidade.
Parece simples, mas não é.
Para recuperar aquela memória adormecida é necessário muita disciplina e autocontrole. O caminho coincide com a da busca da Luz, e passa longe do trilhado pela maioria dos seres físicos que habitam o planeta. E mesmo aqueles que estão despertando para essa realidade paralela, têm dificuldade para compreender com clareza os objetivos da vivência humana ora empreendida.
A não ser que a proposta aparentemente simples do Mestre, que nos induz a buscar diretamente a felicidade, pelo decreto claro e repetitivo, já traga imbutida a realização de todo nosso querer.
Essa parece ser a única escolha.
 

11 abril 2009

No Limiar da Mudança


Na madrugada veio o componente que faltava, para que a lucidez arrombasse as portas da escuridão instalada desde muito, e se fizesse a luz neste local incerto, de existência certa, onde mora a consciência.
Claro, não ficou tão iluminada assim, a ponto de desnudar todas as questões e dúvidas, como numa foto da suprema qualidade psíquica, mas mostrou um caminho a seguir.
Se é difícil fotografar nosso consciente, imagina seu misterioso irmão, o inconsciente, que como aquele gera consequências, todavia sem causas aparentes. E o objetivo do devaneio em questão - para fazer justiça ao nome do blog - não é evoluir um raciocínio na direção da física quântica, com especulações do formato real do binômio tempo/espaço, mas buscar uma maior clareza da relação entre nossos pensamentos e sentimentos e os fatos que nos afetam no dia-a-dia.
Quando se olha do ponto de vista humano, as coisas do espírito não ficam muito claras, e no caminho inverso, normalmente, a resistência do primeiro para com as variáveis do segundo impedem uma compreensão holística.
A aceitação de que os fatos que nossos sentidos percebem e gravam em nossa mente, têm suas verdades e origens de suas ocorrências em nosso coração, é o primeiro passo para entendermos nosso processo de vida.
Se for assim, podemos descriar os fatos que nos fazem sofrer, ou criar outros que nos façam sorrir. E tudo indica que é assim que funciona. Logo, existe apenas uma causa e um causador dos fatos do nosso viver. Dito assim parece simples. Já lemos isso em livros de auto-ajuda e até em alguns com caráter científico.
Ocorre que, apenas a compreensão do processo não altera o resultado. No entanto, a atitude, no pensar e sentir, de forma disciplinada e positiva na busca do que se quer, alinha desejo e mudança na mesma perspectiva, na direção da felicidade.
Foi assim no meio da noite, presentes desespero, sofrimento e escuridão, quando desceu a Luz, e no centro do clarão surgiu uma espécie de caixa de diálogo, com a frase mágica que, repetida até o sono chegar e carregar o espírito para o além, trouxe compreensão, alento, paz e felicidade.
taddeu vargas


10 abril 2009

Yesterday, when I was young...


"Yesterday, when I was young, I saw the world in the my feets. Today, with my white hairs, I see the world in line with my eyes."
O crescimento espiritual tem tudo de humano, por isso reencarnamos de modo sucessivo, numa espécie de lapidação da pedra bruta, até que a beleza e a luz própria do ser maiúsculo que somos, resplandeça de forma transparente e definitiva.
Quando jovem, via o mundo com olhos arrogantes e pretensiosos, como se tivesse nascido protagonista de um enredo chamado vida. Com o passar do tempo, as didáticas Leis do Universo, e o extrato positivo das minhas escolhas, em conjunto, foram talhando, lixando, polindo uma cara nova, um espírito em renovação... onde já se vê alguma luz.
É um processo humanamente doloroso, mas espiritualmente brilhante, onde a paciência dos envolvidos comanda o ritmo da mudança. A eternidade de ambos pavimenta a caminhada e dá sentido à vida.
Neste momento do meu caminho, como evolução desse processo, as leis da vida me colocaram ao lado de um ser humano lindo, um espírito iluminado que se tornou cúmplice e aliado na tarefa de, pacientemente, talhar o grotesco e inacabado que sou.
Para compreender esse processo, e evoluir, é necessário ir aos poucos desusando a roupa da carne, para vestir o ser de Luz que realmente somos, e a partir dessa visão e consciência alteradas, enxergarmo-nos alinhados com o Universo. 


07 abril 2009

Chorei


Esses dias chorei. Não foi a primeira vez, mas com tanto trabalho e envolvimento com questões "práticas", fica cada vez mais difícil achar tempo até para chorar.
E chorei por falta de escrever. É verdade! Tem testemunha!
Para quem está acostumado, escrever é uma necessidade. Martírio maior que criar uma coluna a cada dia, é ficar sem. Perguntem a um cronista.
Interessante, o mesmo tempo que faltou para chorar, não sobrou para escrever ...para meditar, para criar.
Será esse o caminho? Como viver sem escrever, sem criar, sem chorar?
De qualquer modo vemos que encontrei tempo para escrever o que vem e o que segue. Quem sabe aproveito esse final de domingo para chorar, criar, escrever e meditar, e amanhã escrevo sobre isso? Talvez assim eu lembre que vivi.
taddeu vargas

05 março 2009

Textos Escolhidos (7)

Aos oito anos recebi o maior de todos presentes de minha infância. Meus pais compraram uma casa enorme na principal avenida da cidade e eu tive, pela primeira vez, um quarto só meu. Com mobília toda nova, possuia até mesa de estudos.
Foi ali que assisti minha infância ruir, e dos escombros nascer um adolescente ariano difícil de domar. Meu Eu Superior quase desistiu. Minha mãe também!
Foram sete anos de vida nesta casa, um período cabalístico fechado. Uma etapa. Uma preparação para novos e grandes desafios que me esperavam na cidade grande, para onde fui aos 15 anos, morar pela primeira vez longe dos pais, para estudar e me preparar para o vestibular e a Universidade.
Foram tantos os acontecimentos, dentro e fora do meu quarto, que dão um livro. Maturidade sexual, o primeiro cigarro, a primeira namorada, os Beatles, a primeira música do Charles Aznavour, as partidas de futebol de botão com o inesquecível e querido amigo Quiquinho, a chegada de madrugada, depois da primeira capotada de carro...
Foi ali que conheci uma pessoa muito importante em minha vida. Verdadeiro norte de conduta e atitude, apesar de nossas discussões. Sua inteligência e caráter mostraram caminhos não só para minha irmã e meus sobrinhos, mas para muitos privilegiados que se achavam próximos para receber o clarão de suas virtudes.
taddeu vargas

23 fevereiro 2009

Textos Escolhidos (6)

Minha primeira experiência explícita com a religiosidade foi a preparação e ao final dela, a cerimônia da minha primeira comunhão. Na época, e por tratar-se de um colégio de freiras católicas, esta solenidade era um evento dos mais importantes do calendário anual da comunidade escolar.
Foram meses de catequese e reuniões de treinamento para a missa dominical, onde prestamos compromisso para com os dogmas da igreja católica; preparativos da indumentária (terno escuro, camisa branca e gravata) e aquisição dos adereços obrigatórios para a solenidade (livreto, rosário, vela, etc...), como revelam as fotos em destaque no hall de entrada da casa de minha mãe.
Coincidentemente, os dois compromissos que assumi com Deus, de terno e gravata, dentro de sua casa, na minha juventude, não consegui cumprir. Mas da segunda promessa falaremos mais adiante.
Essa prática de fardar o sujeito aos sete anos de idade, para parecer adulto, e assim mostrá-lo pronto para assumir um compromisso para a vida toda, e que trata de questão tão significativa de sua vida, - suas escolhas espirituais - não poderia mesmo dar resultado.
O casamento, outro dos sacramentos da igreja, não se diferencia muito da primeira comunhão, a roupa, a pompa e a promessa se equivalem. Esta última também não consegui cumprir.
taddeu vargas

Amor Difícil

taddeu vargas
Este texto estava escrito desde o dia 7 de janeiro. Com pequenas alterações ele vai ao ar agora, pois na época faltava clareza de raciocínio, ou inspiração para completá-lo.

Há pouco mais de um ano o Universo atualizava uma das mais esperadas de minhas escolhas e me entregava aquela que viria ocupar o espaço do meu coração tão cuidadosamente reservado à mulher que quebraria o encanto da minha voluntária solidão.
O passo seguinte seria enfrentar o desafio do desequilíbrio e chegar vivo do outro lado.
Ao longo desses meses sempre vi com inveja aqueles mágicos momentos, pela coragem exigida pelas leis da vida, à protagonista da invasão dos mais sagrados redutos do meu utópico isolamento.
Depois viriam novas provações, ou provocações, quase mortais para o projeto de vida do mais lindo de todos os enredos de amor da vida do marujo, que singrara milhas e aportara na terra da corajosa protagonista dos primeiros encontros, devolvendo o gesto.
Aparentemente vivo e tendo vencido tantos desafios, busco agora saber o que colhi.
taddeu vargas

08 fevereiro 2009

Desafio do Desequilíbrio II


O apego material funciona como uma âncora que não permite o vôo do pássaro, ou a partida da humana nau do marujo, rumo às desconhecidas, mas amistosas águas do etéreo, na necessária viagem ao seu interior.
Esse foi o maior obstáculo para o projeto de crescimento espiritual que acabou por redesenhar o ora aprendiz de escritor.
Quando essa fase estava sendo superada, o Inventor da sabedoria testou sua obra, colocando no caminho do discípulo sua meia alma.
Existem momentos na vida que não se precisa de uma certeza. Uma dúvida já é suficiente. Esses momentos são difíceis, mas definem uma vida.
O amor chegou sorrateiro, disfarçado de saudade, e no início pegou o marujo blindado pelo medo. Até hoje ainda arrepia um pouco...
Aos poucos o desafio foi sendo entendido como a espada que traria o equilíbrio entre o desapego imperativo e o amor humano indispensável.
O desafio do desiquilíbrio somente foi superado porque uma obra imensa dependia disso. Esta certeza inconsciente costurou - e continua mantendo - uma relação complexa e cheia de descaminhos, mas que carrega um amor do tamanho de toda essa conspiração.
taddeu vargas

24 janeiro 2009

Graduação


Ontem foi um dia cheio, com os preparativos para a noite especial, em meio a um dia normal de trabalho. Curiosamente, as coisas se desenvolveram tão bem, que foi possível passar na loja e comprar o terno da preferência da formanda, com direito a pit-stop no alfaiate para fazer a barra da calça.
A sincronicidade verificada nas inúmeras tarefas que precisavam ser desenvolvidas, já apontavam para um final feliz na noite da prova. Uma verdadeira conspiração em marcha, pintava um quadro favorável para o encontro tão adiado...com a vontade.
O medo batia em retirada, dando lugar à satisfação do compromisso cumprido com a transparência, expulso pelo herói da noite cheia de grau: o amor.
Mas tudo isso rolava como pano de fundo de um momento de realização pessoal de uma mulher extraordinária, que cumpria e encerrava etapas importantes de sua vida. Com a sobriedade dos seres superiores, desfilou o sorriso da vitória de suas virtudes sobre as dificuldades da caminhada, sugerindo que a ajuda de todos foi decisiva.
A ciência das emoções conta agora com uma especialista em vida, em superação de obstáculos, em leituras equilibradas, mas intuitivamente mais amplas, das complexas emoções humanas.
Parabéns Psicologia, pela contratação desse reforço significativo para o time da ciência do comportamento e parabéns a todos nós, que tivemos o privilégio de assistir a solenidade de colação de grau de uma mulher que empresta respeito, excelência e brilho a tudo a que se liga.
taddeu vargas

17 janeiro 2009

Estado de Expectativa


Quando amanheceu eu estava participando da chuva que caia, mesmo do lado de dentro do vidro, que me separava da vegetação molhada pela água que banhava a natureza. Mas integrado de tal modo, que sentia na pele as gotas da chuva fina e insistente, que molhava até meus pensamentos.
Nesse estado desaparecem os problemas - aquilo que te machuca nesta vida - e o ser maior que nos habita assume o comando de nossa individualidade, pilotando uma viagem pelo campo das infinitas possibilidades de realização, prazer, satisfação, paz, recordação, luz...
Sinto-me como um dínamo quase transbordando energia, tal a magnitude da Luz que recebo do Universo e quanto mais iluminado me sinto, maior a compreensão das possibilidades à disposição, bastando para alcançá-las um estado de expectativa em relação a elas, independente da grandiosidade do feito a ser empreendido.
Vou voltar aqui amanhã, depois de amanhã...e sempre, talvez não para buscar minhas carências, mas a realização maior do ser humano, que é o encontro consigo mesmo e sua grandeza.
taddeu vargas

15 janeiro 2009

Família


Família é um ente com várias pernas, diversas cabeças, muitas opiniões e pouca harmonia, mas sobrevive a tudo por causa do amor.
taddeu vargas

11 janeiro 2009

Sintomas de Outono


O anoitecer de ontem, nesta terra das surpresas climáticas, desenhou uma imagem que lembrou o outono do meu Rio Grande. Pela beleza, mas por mais do que isso, pela emoção que a efígie da boca da noite me causou.
O outono não é uma estação. É uma conspiração!
Somente nesta estação, na estação do amor, a folha conseguiria ser mais formosa do que a flor.
taddeu vargas

02 janeiro 2009

Textos Escolhidos (5)

Em abril eu completaria 6 anos, mas o Colégio Santa Terezinha não aceitou minha matrícula no primeiro ano. Minha mãe conseguiu negociar uma solução atípica, só possível em escolas particulares, e mesmo assim no interior ...e naquela época. As freiras toparam me receber no início do segundo semestre, quando eu já teria completado a idade para estar matriculado no primário. E eu que me virasse com o aprendizado do conteúdo da primeira metade do ano. E estamos falando de minha alfabetização.
A tarefa era difícil, mas eu tinha em casa a pessoa que faria toda a diferença. Minha irmã me alfabetizou e me preparou para ingressar no segundo semestre em condições de igualdade com meus colegas.
No final do ano recebi meu boletim, com um presente e um inesquecível abraço carinhoso e emocionado da Irmã Gregória, responsável pela minha turma, com os cumprimentos pelo 5º lugar alcançado com apenas um semestre de aula e numa turma de quase 30 alunos. Mentalmente agradeci e dediquei à minha verdadeira professora aquela conquista.
Este fato marcou a minha infância, como o primeiro grande desafio a ser vencido. Embutido na provação veio a sensação de que não estaria sozinho. Por alguma razão que não conseguia identificar, eu estava certo da vitória final, como se estivessem à minha disposição forças poderosas, que me ajudariam a alcançar o resultado, independente do grau de dificuldade da empreitada.
taddeu vargas

Textos Escolhidos (4)

O colégio das freiras era a melhor escola da cidade e minha irmã cursava o 2º ano do então curso primário, hoje denominado ensino fundamental. Fui matriculado no Jardim da Infância, uma espécie de preparatório para ingressar na primeira série do primário no ano seguinte.
Tive dificuldade de me adaptar. Acostumado à presença constante de minha mãe no meu dia-a-dia, e não ambientado com grande número de pessoas, passei um bom tempo dando trabalho às orientadoras e à minha irmã, que tinha que abandonar frequentemente sua sala de aula, para tentar me acalmar e me convencer a participar das atividades, solicitada que era pela irmã responsável pelo Jardim, como último recurso para me manter em aula.
Já naquela época, inobstante a tenra idade, minha irmã demonstrava habilidade na gestão de situações de crise, usando uma inata praticidade para a solução de questões complicadas. Sempre admirei nela essa virtude singular e vejo hoje como foi e é importante na administração das questões mais importantes de sua vida.
Talvez esse seja um dos motivos para ter escolhido vir nesta família, já que precisava agregar essa característica, ausente (até hoje) de meu perfil.
taddeu vargas

31 dezembro 2008

Do material ao espiritual


Os textos abaixo (Textos Escolhidos 1, 2 e 3) e acima (4 e 5), fazem parte de um projeto, há muito acalentado, de um livro de crônicas, que contam a trajetória deste marujo juntador de palavras.
"Do material ao espiritual" é uma tentativa de mostrar as minhas experiências de vida, sob os dois aspectos que envolvem nosso ser maior, completo, sem perder de vista o lado prático, humano.
De certo modo, o ano que ora expira trouxe-me lições que eram necessárias e indispensáveis para levar adiante a proposta de contar os principais fatos de minha trajetória, visto das duas dimensões que habitamos.
Que 2009 nos ilumine para desenvolvermos e concluirmos essa obra e ainda sobrar tempo para juntarmos algumas palavras e colocá-las, na forma de texto, aqui neste blog, que já vai para seu quarto ano de existência.
Próspero e feliz ano novo a todos os amados leitores.
MTV
taddeu vargas

29 dezembro 2008

Textos Escolhidos (3)

Junto com meus quatro anos veio a mudança para a cidade, onde minha irmã já residia, em casa de nossos avós maternos, para poder frequentar a escola. E foi lá que moramos por um tempo, antes de termos nossa própria casa.
Foi uma revolução em minha cabeça. Conheci, ao mesmo tempo, as novidades da eletrônica moderna (de então): a eletrola e a TV, esta recém chegada ao estado, casa nova, gente nova e novos costumes. Meu avô era um próspero empresário rural e sua casa uma das maiores e melhores da cidade; foi um dos pioneiros na plantação de soja no Rio Grande do Sul e tinha lavouras no norte do estado, para onde se deslocava com frequência.
Uma mudança e tanto, para quem estava acostumado a tomar banho de bacia ou mesmo de sanga (riacho) e que agora experimentava banhos quentes de banheira e chuveiro.
Junto, no pacote das novidades, vieram pessoas, muitas delas, fazer parte do meu dia-a-dia. Avós, tios, amigos destes, que frequentavam o casarão, empregados, enfim, um mundo diferente e novo para mim, mas um amplo laboratório, onde pude observar perfis de personalidade e as atitudes das pessoas. Isso viria a ser muito importante e decisivo em diversas das escolhas que fiz bem depois e que mudariam muito minha vida.
taddeu vargas

Textos Escolhidos (1)

O cenário da primeira lembrança de minha infância não fica muito distante de onde estou agora. A informação que consigo acessar localiza-se entre meu primeiro e segundo ano de vida, e está relacionada à imagem do local e de um objeto em especial. Um tanque velho de combustível de uso agrícola despertava medo no ainda bebê, o contraponto do amor. A vida me ensinaria, nos anos seguintes, que esses são os dois grandes e mais importantes sentimentos com os quais o ser humano tem que lidar, sendo o primeiro tão perigoso, que foi pioneiro na gravação do disco rigido de minha memória.
Tudo o mais era bom. Até o vento, que sopra forte na região, era música para meus ouvidos, produzindo acordes inesquecíveis, quando se chocava à mata que circundava as casas da instalação rural. Hoje, no local, existem dezenas de aerogeradores, produzindo energia elétrica de forma limpa, utilizando aquele que cantava para eu dormir.
De alguma forma, o então neném sentia o ambiente energeticamente diferenciado e misterioso, clima inicial de uma trajetória que não terminaria sem exaustiva tentativa de compreensão das questões extra-humanas.
taddeu vargas

28 dezembro 2008

Textos Escolhidos (2)

A escuridão da noite começava a ser abrandada por um ameaço de clarão, que se formava sempre no horizonte descampado, quando meus sonhos de criança eram atropelados por conversas e barulhos vindos do lado de nossa pequena casa de madeira. Os sons, que no princípio embalavam as viagens da minha alma, e que ao final acabavam por me despertar, procediam de um galpão agrícola, onde trabalhadores da lavoura de arroz de meu pai, preparavam-se para mais um dia de trabalho. De lá também partiam os aromas de madeira queimada, e do café sendo preparado nas cambonas.
Nossa rústica e humilde morada de três peças, que dividíamos, eu, minha irmã e meus pais, era grande na minha visão de criança, e meu universo familiar perfeito. As pessoas que compartilhavam comigo esse período da minha vida, formavam o tripé de sustentação da minha existência. Delas eu recebia, além das necessidades básicas, a energia que me realizava e fazia de minha vida pura felicidade.
A união e integridade de nosso pequeno grupo familiar, que perdura até o momento em que escrevo esse texto, davam seus primeiros passos. As interações energéticas, que resultariam na construção dos meus valores e de meu perfil emocional estavam em curso, num ambiente de parcos recursos materiais, mas abundante em carinho, harmonia e exemplos.
taddeu vargas

27 dezembro 2008

A Sacada


Hoje, deitado na rede da sacada, consegui visualizar aquele 24 de dezembro distante, o que antes não me arriscara fazer.
Esse local da morada praiana, outrora apenas área de lazer, posto privilegiado para espiar o mar e os navios mercantes, agora é habitado por um ente ficcional, mistura de imagens, sons e fragrâncias, que ocupa o espaço quase fisicamente, transformando o observatório privilegiado das belezas da praia em recanto sagrado, onde nasceu o meu amor.

Naquela noite de Natal, fui surpreendido pela luz de uma estrela, que me indicou um ponto longínquo, local onde estaria o outro elo do amor que nascia, e a confirmação veio na forma de uma emoção profunda, quando rompi a distância e estabeleci contato, criando uma corrente de energia tal, que mudou para sempre a minha vida.
Agora o sol banha a sacada testemunha do nascer do amor, em contraste com a noite que cobre o que sobrou dele.
taddeu vargas

26 dezembro 2008

2008


Está para findar um ano imortal, pois ficará marcado para sempre, na mente e no coração, como um período de grandiosas mudanças, palco e interregno arrebatador do maior dos amores.
Amor maduro, consciente, tanto quanto esse sentimento pode ser, desafiador (do desequilíbrio), corajoso, empreendedor, amor escolhido, amor decidido...
E ele somente veio por inteiro, quando foi maior do que o medo de comprometer a liberdade ...medo que acabou por comprometê-lo.
Em 2008 tudo começou e tudo acabou, deixando para seu sucessor e para sempre, o registro eterno da possibilidade, acima das dificuldades e da relatividade das conquistas terrenas, face as vitórias espirituais.
O saldo é maior que o amor, pois é ele próprio somado à esperança, e sob esse signo nos preparamos para recepcionar o ano novo, que trará dias novos, atores principais de um palco antigo, todavia revisto e adaptado para novos tempos, novas escolhas, sequência necessária de vida...
taddeu vargas

25 dezembro 2008

Na ilha natal


Cada retorno à querida Santo Antônio da Patrulha é um mergulho em um mar infestado das lembranças que mais mexem com meu coração. Nunca saio daqui como chego. Cada acontecimento da nova estada se encaixa em um equivalente de três, quatro décadas atrás, como num jogo de peças relacionadas.

As interpretações dos fatos e atitudes de então é que mudam, como se houvessem duas ou três histórias aqui vividas, por esse marujo que, na sede de singrar novos e desconhecidos mares, desoportunizou-se saborear os patrulhenses ares.

Essa fuga da ilha natal acabou comprometendo uma melhor compreensão das verdades atuais, mesmo as de fora daqui, por isso a importância do momento e desses dias vividos onde desfilaram minha infância e adolescência.

Ao sair, a bordo de novas verdades, ou de uma interpretação sepultadora das dúvidas atuais, ou mesmo ainda sem compreender direito mais esse momento, carrego comigo a energia de um local mágico que me ajudará a seguir na direção do entendimento, até que a Luz definitiva marque o caminho.


TaVar

23 dezembro 2008

A Partida


Chegou o dia de partir, ou repartir!
Partir para onde um lado de meu coração indica, mas o outro reclama e quer ficar.
De coração partido, e repartido, pela partida, mas com uma parte de partida para um grande encontro.
Um reencontro!
Que pode harmonizar os dois lados da morada do amor,
ritmar seus tuns, tuns e repatriar o equilíbrio.
Nossa casa, nossa gente, nossos amigos e inimigos
são familiares e nos fazem bem.
É como uma cena vista diariamente, passa para dentro
de quem observa e pode então ser vista dos dois lados.
Quase aconteceu isso com as araucárias... embora a tela
ainda viva esteja, perde nitidez para o implacável.
Se esse mesmo coração aguentará outra separação dentro de dias,
somente estes nos dirão. E, de qualquer jeito, repartido estará.
taddeu vargas

21 dezembro 2008

1/4 de ano


Pensei que não fosse possível e que isso nunca aconteceria, mas eis-me aqui, distante dos meus, há um quarto de ano.
São três meses longe da minha gente, dos meus domingos porto alegrenses, do meu Grêmio.
As quase perdas doem num lugar inacessível, para o que não tem remédio, a não ser deixar doer...
Num ponto além da imaginação reside a harmonia, a paz, a casa dos meus sonhos... e esse momento parece fazer parte do caminho que leva ao paraíso da minha existência, mas a incerteza me empurra de volta ao palco principal da minha história.
Este momento, de pura ausência do racional, impõe o totalitarismo da emoção, da intuição que comanda o processo de escolhas e edita o próximo capítulo de minha vida.
taddeu vargas

20 dezembro 2008

Quem eu sou


De certa forma, este texto é um agradecimento aos meus filhos, na mesma medida em que traça o perfil de um ajuntador de palavras, que de cada filho juntou um pouco de rumo, para ir definindo sua trajetória pessoal.

Foi assim quando nasceu a primogênita destruidora de paradigmas, também conhecida por Tatacha. Sua chegada ao planeta coincidiu com a criação do primeiro PC. Ambos viriam para mudar conceitos e alterar irremediavelmente a vida de muitas pessoas.

Lembro de ter escrito uma vez que deveria ser obrigatório, a todos os candidatos a educadores de filhos, passarem por um treinamento com base na fascinante experiência de ser pai dessa leonina maravilhosa.

Depois, face a imensa generosidade de uma das Mulheres, com cuja companhia o Universo entendeu de me postar, tive a honra de ver meu nome batizar meu primeiro filho homem. Pela inteligência, postura e determinação do meu amado chara, "Marcos Tadeu" tem agora muito mais chance de se transformar em nome conhecido e reconhecido.

Nunca vou esquecer um telefonema de uma criança menina me chamando de pai. Não podia ser engano, pois, apesar da minha mente não registrar a paternidade exposta, meu coração gritava pelo reconhecimento imediato. Filha nascida da mais ardente, pura e linda paixão, Ana "Carolinda" veio escrever um capítulo novo e emocionante na vida deste aprendiz de cronista.

Todavia, tendo sido já tri-presenteado com seres tão maravilhosos, ainda assim os Deuses da vida entenderam que caberiam no meu coração de pai mais três figuras premiadas, e assim aportaram o Marujo Little John, o Grumete Macio e Fran, o Terrível.

O primeiro, veio em seu corpo de anjo; penso que não deu tempo de trocar a roupa, nem o jeito. Se ele entrar no céu ninguém vai notar a diferença. Também é conhecido por João, o Sereno!

O Macio resgatou muito do pai dele. Atento, opinativo, interesses na área de publicidade e jornalismo, encheu e enche meu coração de emoção quando fala desses assuntos com conhecimento e desenvoltura precoces.

Quando o Francisco nasceu, senti que o nome certo para aquilo que estava acontecendo não era bem mudança...na verdade, já antes do nascimento tudo indicava que sua vinda, ou retorno ao convívio familiar, carregava o viés da transformação. Paria junto com o ser menino um novo caminho...

Cada sagrado momento desta trajetória, rica e generosamente ornamentada por Deus, com tão lindos seres parceiros desta etapa de nossa eternidade, foi desenhando o perfil do tal ajuntador de palavras, que resultará no somatório das marcas deixadas por cada um deles, no projeto de pai que assina o presente.

TaVar

30 novembro 2008

A Mudança IV


Quando a mudança se aproxima o dia acorda com cheiro diferente, com cara esquisita, mesmo sendo Dia de Domingo, que escuto agora o Tim e a Gal cantarem. Parece até que eles mudaram um pouco o tom!?

O que provoca a mudança são nossas escolhas anteriores, como já sabemos, mas quando ela chega nos surpreende, pois vem com a fisionomia desenhada pelo conjunto dessas escolhas, que, quase sempre, é uma receita ainda não experimentada.

De qualquer modo, pela autoria conhecida, não posso reclamar do que me invade nesta Curitibana manhã de domingo. Quando meus olhos enxergarem de mais longe esse momento, saberei o que perdi, ou ganhei, enfim, conhecerei o produto final dos ingredientes que juntei nesta etapa da minha vida.

Ser Feliz


É claro que o caminho para a tal felicidade é trilhado sozinho, mas para viver essa spiritual life tem que desvestir a outra: a vida da pele, do coração batendo descompassadamente quando ela entra no msn, da sexta-feira amarga, noturna e solitária...

E como meditar para se bastar, com o coração rasgado e dolorido?
Como serenar a mente se ela percorre velozmente, em trajetos de ida e volta, toda nossa linda história de amor?

Diz a parábola do alpinista que, quanto mais alta e íngrime a montanha a ser escalada, menor é a influência do ser humano na tarefa, restando buscar no outro eu, no maior, mais velho e mais sábio ser que nos habita, a força para a subida.

Existem, de fato, situações na vida do marujo que transcendem os conhecimentos e a sabedoria até aqui adquiridos, deixando-o à deriva no mar das emoções e sentimentos, até que o vento da mudança sopre e abra o horizonte, mostrando o caminho.

13 novembro 2008

Desafio do Desequilíbrio


Como é difícil heim?
Quando parece que fizemos tudo certinho, tudo indicando que o Universo conspirou...
Quando sorrimos independente do céu cinzento e da chuva caindo...
Quando a felicidade já faz cócegas em nosso coraçãozinho. Aí vem a vida prática e diz que não!
Tudo que sonhamos e agora estava prestes a acontecer, foge de nossas vidas, como se desses momentos não merecêssemos desfrutar.
O amor humano parece comportar-se assim, destonalizado, fora de controle, ilógico, imprevisível, sobressaltado... descredibilizando o desafio do desequilíbrio, que estava tomando forma (quanto de?!).

08 novembro 2008

Diário - A distância


Eis que me tenho novamente longe dos meus queridos.
Não é a primeira vez, mas desta vez é quase por acaso. (como se isso fosse possível)
Já li em algum blog que "saudade é um sentimento de amor e não de falta dele", mas que dói, dói!
De certa forma, do ponto de vista geográfico-amoroso, estou onde deveria estar. Equidistante e nem tão longe dos meus amados eternos e espiritualmente escolhidos, e na terra do meu amor.
Mas, "na prática", me sinto longe de todos. Como se fosse um castigo por ter buscado, depois de muito tempo, a minha própria sina.
Desta vez o experimentado marujo avaliou errado suas cartas de navegação (ou não), e não seguiu sua intuição que indicava fortes tempestades a bombordo, a estibordo, enfim...
Embora a saudade doa, a proximidade nem sempre é a solução para nossos desencantos - ou falta de encantos - que a ausência física de nossos amores nos causa, e com isso, até que se vençam definitivamente as limitações humanas, ficará a triste sensação de um coração desabitado de amores.

23 setembro 2008

A prima do medo


Ela nasceu bem depois.
Nem tão forte, nem tão sábia,
Mas como ele, perigosa,
confusa e ardilosa.

A dúvida foi parida pelas filhas do medo,
personagem maior das desventuras humanas.
E delas tirou sua subsistência, para crescer
até virar causa das atitudes mais insanas.

O indivíduo mais centrado e seguro
sorri enquanto não topa com ela.
No entanto, assim que se cruzam,
com frequência o centro vira berbela.

Neste momento de profundas incertezas,
nem mesmo a voz do Mestre eu escuto.
Pois o silêncio de que necessito,
pela dúvida me é sonegado de modo absoluto.

14 setembro 2008

Noite de Sábado


Esta noite de sábado, até que eu me sentasse em frente ao teclado, ensaiava ser a mais deprimente de todas as que me lembro. No entanto, ao encerrar o título do texto que começava a escrever, vi que não estava sozinho.
Este Sujeito, que assumiu o formatador mental das frases que digito, sempre aparece nestas horas. Na verdade, Ele sempre está na área, todavia nem sempre percebo. Mas quando sento para escrever, paro por aí, o resto é Ele quem faz. Para sorte dos meus poucos e queridos leitores.
Agora estamos em três, pois o Charles Aznavour está cantando “She”.
Definitivamente não estou mais sozinho. Minha noite de sábado, antes candidata a mais solitária delas, foi invadida pela luz do Mestre e pela música gigante de Aznavour, transformando minha Kit(sem)net numa grande casa cheia.
Agora já posso dormir, pois meu coração comanda novamente minha vida. Bastou que eu reconhecesse junto de mim A Presença, para que a paz e a luz inundassem e preenchessem o espaço que seria ocupado pela solidão.

14 julho 2008

Saber voar


Somos seres voadores, como os pássaros de nosso planeta...o espaço é nosso chão! Desde os primeiros momentos de nosso infinito à esquerda, vivemos sem as amarras das leis físicas humanas que nos prendem ao solo.
Nossa vida noturna é plena de vôos transgalaxiais, numa espetacular ronda iluminada pelas estrelas do espaço infinito do Universo, grandeza impossível de avaliar na leitura de nossos sonhos, a partir da limitação de nossa mente humana.
Viemos à terra para lembrar que somos seres ultraterrestres, iluminados, alados, poderosos, eternos. Voar é apenas uma de nossas tantas possibilidades, de uma porção de tantas outras virtudes recebidas de um sistema infinitamente inteligente.
Entretanto, poucos de nós consegue manejar essas ferramentas que nos faz Deuses, e acabamos vivendo como simples humanos, ou sub-vivendo, disputando migalhas materiais, quando a abundância suprema, a opulência divina, se derrama sobre nós.
Mas alguns de nós já começam a lembrar de quem realmente somos. Essa clareza de consciência brota no coração de alguns iluminados e os faz Deuses na matéria; Mestres-guias de multidões de irmãos no vôo rumo à sabedoria e a liberdade final; e assim contrariar Nietzsche na célebre "quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar"

12 julho 2008

Uma Canção


Eu sempre quis escrever uma canção, mas sempre acabei expondo as minhas bobagens através de crônicas, pseudo-sonetos e outros formatos de textos, sem o compromisso de existirem acompanhados de uma melodia.
Talvez nunca tenha me apaixonado o suficiente, já que o amor funciona como combustível para as manifestações artísticas, de modo que, quanto mais afetada a batida de nosso coração, quando a mente percebe o outro, tanto maior a chance da grande conspiração amorosa Universal nos soprar obras-primas da literatura, da música, da arte, e assim reproduzirmos, na forma material, humana, a beleza e a perfeição das criações divinas.
Mas hoje acordei de uma noite intensamente vivida e inspiradora, e assim vou escrever, e dizer nesta canção que o meu amor pode não ser o maior de todos, todavia é grande o suficiente para escolher lindas sentenças ...doces palavras e misturá-las intuitivamente e fazê-las dançar sob os acordes de uma melodia que brota do ser de Luz que me habita e embala a minha vida.
Quem sabe faz sucesso, vira hit nacional e conta e canta os segredos do meu coração pra toda a nação...

16 março 2008

Dez anos com Tim!

16/03/2008 - Domingo - Dez anos sem Um Dia de Domingo, sem um cara chamado Tim Melodia, ou seria Dom Maia? sem uma criança gigante, ou o contrário...que, certamente, não merecíamos aqui. Por isso ele foi cantar em outra dimensão, para todo o Universo ouvir. As vezes, penso acordar, nas manhãs de domingo, ouvindo-o cantar...e fico a cogitar que, quando eu também mudar pra lá, vou poder ouvir as músicas novas que ele fez para sua platéia atual ouvir. Com aquele vozeirão, e com o carisma mágico de sua melodia, talvez, o que eu esteja ouvindo nas madrugadas dominicais, seja o eco interplanetário de sua presença no eter infinito da criação. Sendo assim, comemoremos os dez anos de ausência do Mestre Tim, com a augusta presença de sua música em todos os recantos do Universo de Deus. Ele está em um bom lugar e muito bem acompanhado; e todos a ouví-lo!

09 fevereiro 2008

Saudade

Nunca escrevi sobre ela, como se nunca tivesse sofrido desse bem...

Ter saudade de alguém é sentir a sua ausência tão presente, que quase devolve o amor da gente. É a garantia de que se ama. É um sentimento de presença de amor, e não de falta dele. Quanto mais amor, maior a sensação da proximidade do ente amado, de modo que o estar junto é constante, independente da posição dos corpos físicos, porquanto os corpos emocionais não se separam jamais.

Talvez, por isso, meu amor, sinto você tão perto. Tão junto de mim que quase lhe vejo. Sinto o aroma do teu corpo doce, que enche tanto o ar de sua presença, que quase lhe toco. Penso mesmo que estás aqui, embora digam que não. Por certo os mesmos que falam de saudade de seus amores distantes, ou será os que vêem em cada canto...uma ausência?

TaVar


04 fevereiro 2008

Em cada canto...uma ausência!

...é assim que sinto nossa casa hoje. Você não está em muitos lugares. E para sofisticar sua falta, em cada um desses lugares, sinto seu cheiro. É tão presente, que parece estar ali desde antes do próprio local... 


Essa fragrância, tal qual um espírito perfumado agora habita os locais onde nos conhecemos, namoramos ...e nos casamos! Mas não te vejo. Não te posso tocar.... e isso faz a ausência aumentar e sentir se propagar pela casa vazia o cheiro que antes produzia em mim uma tontura divina, mas que agora apenas me tortura e mina. 


Quando aqui chegares, sentirás tua presença... que ficou na tua ausência, ocupando o vazio de ti, que meu coração tentou suportar, correndo o risco de ...por sua falta se apaixonar.


TaVar

03 fevereiro 2008

Seja Bem-vinda!

Em algum de meus devaneios, lá por agosto de 2007, percebi a presença sutil de um ser iluminado à minha volta. Envolto numa nuvem de luz rosa, intensamente brilhante, ela produzia muita paz no ambiente, além de uma inusitada expectativa romântica.

A chegada da Deusa do Amor surprendeu-me. Envolvido até a testa com o trabalho, os estudos e os filhos, pensei logo que Sua Excelência a mensageira dos enamorados tinha errado de endereço.

Com o passar dos meses, a sensação da aproximação "dela" aumentava, quase me permitindo "ver" a consolidação dos pedaços de imagens que a formariam. Na minha mente ela começou a ganhar forma. Quando a vi pela primeira vez, era como se as últimas peças do quebra-cabeça pulassem sobre a imagem do seu rosto e ultimassem a construção de sua figura na minha retícula.

Lá estava a minha boneca. Ela existia aqui nesse plano. Por algum tempo pensei que só a encontraria em sonhos, devaneios e outras viagens. Fiquei curioso para saber seu nome, mas no início ela me deu um nome trocado, pensando que era possível proteger-se de sua outra metade.

As almas gêmeas são uma coisa só. É impossível ferir-se uma só, ou fazer apenas uma feliz. Mesmo em dimensões diferentes, vivem a mesma vida, pois seus corpos mental e emocional se confundem. Logo, não é difícil perceber quando o ser-metade se prepara para vestir outra vez a roupagem humana e voltar para o convívio romântico de seu par.

Seja bem-vinda Princesa dos meus sonhos!

TaVar

03 novembro 2007

Nove de Novembro



Era sábado, 9 de novembro de 1991. As preocupações ocupavam todo o espaço mental possível. As dúvidas e incertezas não permitiam traçar um plano que pudesse mudar para melhor minha vida. Foi nesse estado que recebi o maior de todos os presentes de Deus, depois da vida.
A mensagem do Mestre veio na forma de um livro. O Livro de Ouro do Mestre Saint Germain. Quando o abri pela primeira vez,...de certa forma senti que minha vida estava mudando, definitivamente. Estavam lá as duas palavras mágicas que hoje têm um significado tal, que a elas agradeço pelo que sou: EU SOU.
Em alguns dias de leitura, as preocupações tinham sumido, e as dúvidas e incertezas começavam a dar lugar a uma nova forma de ver a vida. A partir do silêncio, comecei a ouvir a orientação da sabedoria interior e, de posse da divina informação e sabendo que EU SOU, dei por inaugurada uma nova e sagrada fase desta minha existência.
Claro que nem tudo, daí pra frente, foram rosas, mas as chagas dos espinhos encontrados no trajeto já não doíam tanto, pois eu tinha um norte a balizar meu caminho. E as decisões de mudar antigos e arraigados hábitos logo foram chegando e as mudanças encorajando a busca por mais Luz.
Conhecer Saint Germain deu sentido à minha vida. Experimentar a força magnética das palavras do Mestre na solução de qualquer tipo de problema, mudou completamente o perfil dos conceitos que até então tinham escrito minha história.
Na semana que vem comemoramos 16 anos desse mágico encontro. Imaginem, se na adolescência dessa relação já me sinto tão feliz e eternamente agradecido, como me sentirei na fase adulta dessa coexistência?
De tudo que o Mestre me ensinou, o que mais mudou minha maneira de agir em relação à vida, foi postar-me resoluto e antecipadamente agradecido pela manifestação de meus desejos, como se já satisfeitos, por mais improvável que fosse sua ocorrência. E Ele explicava que o princípio da precipitação está ao alcance de qualquer ser humano, de qualquer filho de Deus.
A atitude de "EU SOU" nos faz deuses de nossas vidas, de nossos desejos, e transforma o aparentemente impossível em muitíssimo provável.
Muito obrigado Mestre querido, pelo que alcancei e também pelo que não obtive, pois ainda não consigo ter clareza suficiente para diferenciar completamente o verdadeiro do falso. Mas, se ainda sobra nevoeiro na manhã da minha vida, é certo que o Sol absoluto não tardará a saturá-la da clareza e da perfeição do Senhor.

02 novembro 2007

O Dia dos Mortos

O dia amanheceu sombrio, pela imposição das nuvens carregadas, desenhando o cenário de mais um dia de finados, que aprendemos a respeitar na infância, como sendo o dia consagrado aos mortos.
E feriado. A sociedade para e homenageia os que, segundo se diz, morreram. Não que o fato de ter-me tornado adulto tenha feito perder o respeito pela data, mas é certo que não acredito mais em morte. E acho que essa consciência aflorou a partir do momento que meu conceito de "vida" sofreu profunda alteração.
Não sei precisar quando, mas comecei a perceber a vida como sendo uma consequência da Luz, e Luz não morre. A vida está ligada à nossa essência, que é Luz.
Pelo que podemos observar no Universo, e pelo que sinto no silêncio, essa energia sempre foi, é, e sempre será.
O corpo físico que neste dia reverenciamos, jaz no rol das ilusões ...das inexistências. E temporário, incerto e fugaz. Já, seu eventual companheiro, o imortal e iluminado espírito, que é o nosso eu, de Luz, permanece e atravessa o que denominamos "tempo" sem "envelhecer", voltando a viver, no conceito humano, dentro de algum tempo, num outro corpo, construído com o mesmo material que um dia será novamente descartado, para livrar o espírito, mais uma vez, para outras viagens...e assim por diante.
Mas como tudo na vida, por um lado o dia de finados tem lógica: é apenas um, sobrando todos os demais dias do ano para reverenciarmos a vida, a LUZ.

27 outubro 2007

Um Novo Amor

Por trás da fumaça do meu devaneio,
vejo a silueta do meu novo amor.
Oh, que bela e maravilhosa visão,
que chega de mansinho
e já ocupa todo o meu coração.

Não consigo ver-lhe a face
mas, vindas de seu vulto,
sinto ondas de energia,
que me envolvem num círculo
de amor e intensa e mágica alegria.

Que terei feito Senhor, de tão bom,
para merecer tamanho presente
desse sistema inteligente
do Universo e de seu criador?

Deve ser a lei de receber em dobro,
mas mesmo assim, nem tanto fiz
para me ver diante da Princesa do amor
que veio para provar que posso ser ainda mais feliz.

14 outubro 2007

Mar e Marujo, O Reencontro

Neste domingo, como no "Um dia de domingo", (com a devida licença do Michael Sullivan e do Paulo Massadas) falei com ele, sentei e conversei...e andei, de encontro ao vento. Respirei o ar que o rodeia, e na pele tive, o mesmo Sol que o bronzeia. Depois o toquei, e outra vez o vi sorrindo, como num sonho lindo.
Depois de um longo período de muita intimidade, a distância do velho amigo e conselheiro, nos últimos meses, provocou em mim uma estranha sensação de desorientação. É como se tivesse perdido meu Leste. Outrora, diante das dúvidas que assolam os aprendizes de marujo, e a quase todos os habitantes do continente, buscava orientação na energia do grande Ser, repositório de água, sal...e infinita sabedoria.
Agora, diante de diferentes escolhas, que me afastam da brisa que meu coração enfeitiçou, retribuo a energia que me centrou, com esse humilde e repentino texto que por si só se arranjou.
E para terminar, como diz o último dos versos daqueles moços, arquitetos da divina canção, "Faz de conta que ainda é cedo, tudo vai ficar por conta da emoção. Faz de conta que ainda é cedo e deixa falar a voz do coração"

19 agosto 2007

...à espera da alma gêmea


O ar nunca esteve tão carregado dessa sensação de iminência da paixão, da chegada do amor. Não de um amor qualquer, desses que acontece numa de nossas vidas, mas de um amor antigo, quase eterno - pelo tanto e pelo sempre - que nos acompanhou em muitas de nossas jornadas humanas e que, sinto, está para voltar. A sensação é de uma gostosa expectativa, igual a espera da chegada certa da pessoa amada, que espalha no ar o perfume da paixão, faz brotar o sorriso sem causa e altera a batida do coração.
O reencontro era inevitável, os amores e os amantes diferem em muita coisa, mas convergem num aspecto: sempre se encontram! Necessariamente vivem o seu enredo humano, para cumprir sua história espiritual, seu destino. As almas gêmeas se conhecem profundamente, são uma coisa só. Trilham caminhos diferentes, muitas vezes, todavia se atraem e se integram e vivem intensamente a maior das viagens humanas: a louca paixão...que evolui para o sereno amor!
Assim, meu amor, dada a eternidade de nossas trajetórias, a ordem dos compromissos pode ser alterada, mas nunca seu cumprimento. Desse modo, podemos prorrogar difíceis decisões, adiar as atitudes que exigem mais coragem e mesmo tentar "fugir" de algumas circunstâncias, ou mesmo sermos separados por alguma forma de desamor, mas é certo que um dia, em alguma vida, o Universo atualiza nossas agendas e nos vemos frente a frente novamente. E parece que a Lei Universal do amor mais uma vez cumprirá seu ritual. Seja bem-vinda minha boneca adorada!

14 julho 2007

A Mudança III


A mudança se impõe. Os novos jeitos das coisas se instalam. Os dias têm sabor diferente e não lembram aqueles momentos de dúvida e apreensão. Saber o caminho que deve ser trilhado é uma coisa. Trilhá-lo, é outra. Quase sempre a diferença entre o fracasso e a conquista está ligada diretamente à esta aparentemente simples questão. Mudar significa suplantar o medo! olhá-lo de frente...e dar passos em sua direção com o semblante de quem escolheu o diferente, o desconhecido, mas com a convicção de quem elegeu um amigo.
Quando a mudança se aloja, a primeira sensação é de vazio, pois por um momento ficamos sem ver o alvo que nos mantinha o olhar direcionado e fixo. Na verdade estamos no centro dele. Por isso não o vemos.
Um instante depois outras alterações chamam nossa atenção para outros desígnios, e de novo os momentos de dúvida e apreensão deixam nosso mirar nebuloso...medroso!
Assim vivemos, até que a luz maior se instale e como um sábio farol guie nossa emanação de vida pelos caminhos que o medo e a dúvida não frequentam.

08 julho 2007

A Volta III

Ainda não descobri porque, mas é certo que as vezes me desconecto do meu blog. Fico dias... meses sem escrever nele. Será que volto aqui apenas quando meu coração está em chamas? Ou o retorno se dá quando pressinto que o Universo está para me apresentar (ou presentear...as letras são as mesmas) o motivo desse fogo que surge? Se não é a Maura, colaboradora ilustre e talentosa, sempre disposta a postar textos maravilhosos, - cujos ela chama de "verdes" (imagina se amadurecidos!) - este blog poderia passar por página abandonada na rede. Mas sempre que retorno, prometo a mim mesmo que escreverei mais seguido. Pode ser o trabalho, que toma quase todo o tempo do marujo aprendiz de escriba. Aliás, não é fácil conciliar água e papel! ou será a falta de uma paixão?! Todavia, agora faço uma promessa pública de dar o ar da graça com mais frequência aqui no espaço consagrado ao amor e seus desdobramentos apaixonados, apresentados na forma (mal) escrita.

06 julho 2007

Amor Orado

Ele, Senhor, por quem espero eter-idade
Me entenda, não o quero tão belo, só encantador, também não é necessário que seja alto
Mas lhe peço, que saiba voar.
Se assim, eu merecer.
Quem sabe Senhor, me ame ou deseje intensamente meu amor
Que seja cúmplice aos meus toques.
Senhor, que morda meus lábios ao me beijar.
Peço que ele seja diferente, que ele possa Sorrindo, me circular
Tocando, sonhar. É quando saciado do meu gozo, ao meu lado.
Aquecer-me com seu olhar.
Quero este homem, confidente, Silencioso
Que seja nuvem, para eu chover.
Terra para me manter
Ar para eu viver
Senhor, que ele me perceba entrelinhas...Os meus quereres sentidos.
Falo baixinho, Senhor.
Que me enlouqueça , arranhe. Ame amor.
Um amor que apague qualquer mal. Abissal.
Quanto a mim? Senhor..., luz de holofotes em dia de Grenal
Quero ser para este homem, menina... mulher
Minutos eternos
Que sem palavras eu diga: Amo-te
Que eu seja feliz ao fazê-lo
Seja força atraída
Vontade auscultada
Rogo senhor, por surpresas.
Simplicidades, tolices
Gosto por chuva
Pés descalços
Fruta no pé.
Beijo na pontinha do nariz
Este, Senhor, é o homem que espero... eterno
Que cuide de mim
Que me ame bonito
Peço com fé
Que ele saiba ter razão
Que seja encabulado
Que não teorize
Pueril seja sua intuição
Que seu conteúdo seja manifesto

Enfim, Senhor
Que tua luz, esteja nele.
O coração, o mundo.
Meu desejo é justo
Saberei esperar
Pode ser em qualquer lugar
Senhor é hora de apagar a luz.
O mar já escutou
E a mim, resta amar
Orar

Maura Masri
taddeu vargas
taddeu vargas
A Maura escreve aqui as vezes, até para que esse ambiente fique arejado e contaminado pelo talento e fragrância femininos que esse anjo disfarçado de gente impõe com sua presença. O texto de certos autores não tem nada a ver com o que estamos acostumados a ler em nosso dia-a-dia. Eles falam de um mundo que não vemos, mas sentimos que deve existir em algum lugar do Universo. Todavia, o tema é tão familiar para esses talentosos seres, que quando escrevem... parece estarem falando do corriqueiro.
Volte sempre meu amor...esse espaço é seu!
M Taddeu Vargas
taddeu vargas

21 junho 2007

O Imortal


Enfim, o dia de recomeçar chegou! o lado bom da derrota é sempre o recomeço. Quanto melhor encaramos o tropeço, maior é a chance da vitória no final do próximo embate. Domingo tem gre-nal e não conheço nenhum analgésico melhor para curar a dor da ausência do Tri, do que passear fulgurante pelo grande rival em pleno beira-rio. E assim será!
A vida do imortal é cheia de reconstruções. Aliás, a maior vantagem de ser imortal... é ser imortal! As bandeiras tricolores continuarão tremulando, e os versos das canções compostas e executadas no cimento da nossa paixão gremista soarão novamente fortes, apaixonados e sintonizados com a próxima vitória, que demarcará um novo deslimite para nossa imortalidade.
taddeu vargas

14 junho 2007

Bom mesmo seria ser melancia... Ou não!


“(...) a cidade que eu não conheço,que você não conhece,são as ruas que nós não atravessamos, são os outros caminhos possíveis.” (Jorge L. Borges)
Ao usarmos a língua, agimos sobre os outros, uma ação dupla entre produtor e receptor, ou seja, sempre que dizemos algo (escrevendo, falando) a seqüência lingüística implicará no conteúdo proposicional, na força ilocucionária e terá efeitos perlocucionários. Entendido? Não??? Trocando em “miúdos”, exemplificando...
Se você em determinada situação, fosse comparada a uma “melancia” (Citrullus lanatus), fruta rasteira, originária da África, de forma arredondada ou alongada, de polpa vermelha, suculenta e doce, com alto teor de água, casca verde e lustrosa, com estrias de verde escuro e muitos sais minerais. Pensarias como? O que significa ser comparado a uma Citrullus lanatus?Algo, no mínimo, sujeita a muitas interpretações.
Bom, sendo eu o receptor dessa “história” o “efeito perlocucionário” é mais ou menos este: João, João... (poderia ser Antônio, Pedro ou José).
Meu universo é repleto de nuances, o das melancias, sementes! Diferentes? Nunca se pode saber o que há dentro de uma melancia, ou seja, seu universo! Sei tanto do universo das melancias, como da anatomia de um elefante, nada!
Qual a paixão de uma melancia?Sei de minhas paixões. Nutro uma estranha paixão por camisetas velhas, pés descalços, horta e tatuagem no pé. Mas há uma”polpa” em algum lugar em mim que usa caros perfumes,sedas e brilho no olhar,quando se traveste em sedução.Uma Balzaquiana. Mas o bom mesmo seria ser melancia!
Fugir do trivial: moda, dieta, beleza, relacionamentos, pior ainda discutir relação!
Na prática não sou melancia. Ora se a fosse!Precisaria apenas ser doce, carnuda e ter sementes. Sugiro então o “02 Neurônio:Almanaque para garotas calientes”(Jô,Nina e Raq) e a trilha sonora “It´s a man´s,man´s,man´s World (Mr James Brown), facilitará e muito entender.
João, José, Antônio...Como mulher, ou seja, lá o que for como for, ou para que for, quero ser única em mim mesma, nem melhor ou igual a nada, apenas “eu” em minha essência e roupagem provisória de mulher; ser caminho e não chegada, ser “semente” ou seria, “somente”? No eco, se pode ter noção do que há dentro de uma melancia...João!João! Poderia ser José!
“A mulher que não conhecemos são as ruas não atravessadas, são os outros caminhos possíveis”.
taddeu vargas
Maura Masri
taddeu vargas
A Maura...que, pra maruja, só falta o "j", e um ligeiro arranjo nas letras, ou não!! é uma pessoa, ou melhor, uma mulher que acontece poucas vezes na vida da gente, normalmente nenhuma! Mas quando acontece, ocupa um espaço tal que, quando vai embora ...nunca mais conseguimos preenchê-lo. Acolher suas lindas e intrigantes palavras neste humilde espaço de mil blogbagens, além de enobrecer o blog do marujo, enche esse ambiente virtual de uma fragrância pura ...de um perfume raro ...que só os seres construídos por Deus em dias especiais exalam.
M Taddeu Vargas
taddeu vargas

23 abril 2007

Yesterday, whem I was young



Yesterday, whem I was young... Ontem, quando eu era jovem...é o Charles Aznavour cantando em Inglês, uma canção que faz parar para pensar por vários motivos: pela letra que nos leva a repensar o passado (e hoje é domingo , é dia disso), pela melodia que nos leva para as nuvens, pela interpretação desse gênio da arte musical que nos mostra o limite do talento humano na comunicação de emoções. Ontem, quando eu era jovem, eu tocava guitarra e cantava numa banda que tínhamos, eu e alguns amigos, na terna Santo Antônio da Patrulha. Nada que chamasse atenção das maiores gravadoras (...rsrs), mas com não menos emoção do que o Aznavour cantando aqui no som do meu PC. Assim é a música! Ela recria um momento único lá atrás. Mas exagera na emoção. Porque decora, perfuma, recompõe o cenário daquele instante, tornando-o irreal, pela perfeição e beleza, como se nunca mais fosse possível revivê-lo, nem que todas as forças do Universo se unissem para reconstruí-lo. E ficamos sendo embalados por uma serenata de sonho, pelo impossível de ser vivido, ou revivido ...com saudade do amor. Assim é a vida! Nos dá a chance de vivermos agora um desses momentos que lembraremos após. Façamos, pois, desde já, o que a música faz depois.
taddeu vargas

Alma Castelhana! de onde vem a mística tricolor?

Aos 14 anos de idade, tendo chegado há poucos dias em Porto Alegre, onde viria para cursar o científico do Colégio Rosário, e ainda mal aquerenciado num apartamento de quarto e sala que meu pai tinha alugado para eu morar, junto com uns amigos de Santo Antônio da Patrulha, andava meio perdido com tanto coisa nova. Acostumado ao viver mais calmo do interior, tinha dificuldade de me adaptar numa morada que em sua totalidade, não era maior do que meu quarto em casa de meus pais e também com a vida agitada da capital. Mas, nessa idade, a gente se acostuma rápido com as novas caras da mudança e como sempre, são os amigos que marcam presença quando se bota a cara ao vento; e eles não eram poucos, e como poucos.
E na verdade, eu estava onde queria: mais próximo do meu Grêmio. Uma paixão curtida à distância desde a infância, pelo rádio e algumas raras vezes pela TV. Mas agora eu morava à dez minutos do palco dos meus sonhos infantis. E estava muito feliz por isso.
Uns meses antes, o velho inimigo vermelho tinha inaugurado seu novo estádio no parque Beira-Rio, num pedaço de aterro das margens do Rio Guaíba, que o Governador Ildo Menegueti tinha doado ao nosso co-irmão. E "eles" estavam faceiros demais; no ano anterior tinham quebrado a série de sete campeonatos regionais que o Grêmio acumulará até 1968, o heptacampeonato, e ainda mais agora, de estádio novo, não se contentariam com pouco. E foi o que se viu nos anos seguintes. Hegemonia no estado e vôos altos a nivel nacional com um bi-campeonato brasileiro, em 75/76.
Era difícil ser gremista naquela época. Parece que o time entrava em campo já batido. O estádio beira-rio e os títulos nacionais, além da supremacia regional humilhavam nosso gremismo. Talvez como fruto dessa verdade transitória, mas dolorida, surgia em nossa casa, na Azenha, uma nova e entusiasmada liderança. Um Gremista homem, nesta ordem! Começou ocupando cargos menores, até ocupar a Presidência do Clube em 1975; e chegou declarando que os dias vermelhos estavam contados; que o grêmio a partir de então venderia caro demais qualquer derrota; que somente jogaria no time quem tivesse tesão! Foi um desconforto geral, pois essa palavra, tão comum nos nossos dias de hoje, era uma afronta aos conceitos de moralidade de então.
Ninguém percebia, mas estava nascendo um sentimento de maioridade, de supremacia,...de invencibilidade. E não demorou para a tática do "tesão" apresentar seus primeiros resultados. Em 1977, sob o comando desse dirigente gremista, acabamos com a hegemonia colorada aqui nos pagos, com direito a invasão de campo, pois tínhamos pressa em comemorar aquela e partir para outras conquistas, e o juiz não queria acabar com o jogo...
O primeiro fruto daquela semente plantada dentro do coração de cada jogador, funcionário, dirigente e da torcida gremista através de entrevistas e conclamações pelos meios de comunicação feitas pelo Presidente do Clube, acabava de se materializar. Uma profunda mudança tinha se operado, e o Grêmio jamais seria o mesmo. O gremismo e os gremistas respiraram fundo, encheram o peito e pensaram grande, como seu comandante.
O segundo feito viria a seguir, com uma grande campanha junto à torcida, que contribuiu com dinheiro, cimento, fé, suor, sangue e um pedaço do coração. Com esses ingredientes o dito Presidente comandou as obras de complementação de nosso estádio, que o transformaram no Olímpico Monumental, nosso orgulho e de todo o futebol gaúcho. Faltava pouco para acabarem os dias de humilhação e eles apenas figurariam na história depois daquele memoroso 3 de maio de 1981. Na proa de comando da nau gremista que desafiava o poderoso São Paulo, dentro do Estádio Morumbi, com 7 jogadores da seleção nacional e 95.000 são-paulinos a cantar e gritar, na final do campeonato brasileiro de futebol, estava aquele que ousou dizer que o Grêmio não poderia mais ser batido sem que para isso houvesse muita luta, e nunca antes do apito final. 1x0 com golaço de Baltazar! O Brasil não acreditava no que assistia...e nossa alma estava lavada. Nunca mais seríamos humilhados. Éramos campeões brasileiros, e a estrutura para irmos adiante, na libertadores, estava montada. Dois anos depois, já sob o comando do Dr. Fábio Koff, fomos campeões da Libertadores e do Mundo. E o Grêmio não parou mais de crescer. E a dificuldade para batê-lo também...
Nos Aflitos, em Recife, o Náutico e sua torcida foram vítimas desse sentimento que encarna na veste tricolor quando uma grande batalha se desenvolve e, mais uma vez, os brasileiros assistiram pela televisão uma épica jornada esportiva marcada pela superação, persistência, combatividade e pela incrível capacidade de recusar a realidade e apostar no sonho até vê-lo balançar as redes adversárias. E mais recentemente, no âmbito do gaúchão, o Caxias e o Juventude provaram o gosto amargo de perder uma classificação que já pensavam ter ganho.
O Grêmio é grande demais para ter sido construido apenas por uma pessoa. Ele é obra de muitos competentes e abnegados dirigentes, virtuosos jogadores, funcionários dedicados e, principalmente, uma construção da fantástica e incomparável torcida tricolor, mas quem quiser entender um pouco dessa alma castelhana que se instala no time quando as dificuldades parecem criar uma barreira intransponível à conquista de campo, pode procurar por um médico aposentado que atende pelo nome de Hélio Dourado. Se sua rotina atual estiver permitindo, ele ainda pode ser encontrado ali no Bairro Azenha, no Estádio Olímpico, falando algumas bobagens como "fazer algum estádio ainda melhor"...ou que "o Grêmio vai ser maior que o Barcelona".
Eu penso, meu querido Dr. Hélio, que foi em homenagem à missão que o Senhor teria a frente de nosso clube do coração que os Mestres Ascensionados construiram a célebre e divina sentença: "Ninguém fracassa, enquanto não se rende".
taddeu vargas

16 abril 2007

80 anos!


Viver um dia depois do outro é nossa sina, desde que estreamos nessa vida. Envelhecer, desse modo, é nossa dita. Todavia, ganhar os anos sem perder o brilho do desejo de viver estampado nos olhos, é predicado raro e atributo de poucos de nós. Emplacar os oitenta anos, com cara de menino travesso e ainda apaixonado pela menina moça desposada lá na Vila Palmeira há 55 primaveras é façanha para alguns poucos escolhidos pelo Pai de todos nós. Com a mesma cara de quem inaugurava caminhos pelo Brasil a fora na juventude camioneira, ele agora percorre os kilômetros que faltam para cruzar a linha da eternidade, que a cada ano que passa...parece mais distante. Nesse 15 de abril tive a honra de sentar ao lado de um jovem homem que completava 80 anos de vida, vividos de modo a homenagear à atitude, pois foi a ela que dedicou sua vida. Quem teve o privilégio de presenciar a trajetória de vida desse ariano descendente de índios e sobrenome de Ex-Presidente da República, não pode alegar falta de exemplo de trabalho, seriedade, caráter, lealdade, honradez, amizade, dedicação à família e bondade de coração. Feliz Aniversário e muito obrigado meu Pai querido, por tudo que você conseguiu me mostrar e por todos aqueles gestos que talvez eu não tenha entendido ainda, e que Deus me dê a graça de viver tanto quanto você, para assim poder refletir sobre eles.
taddeu vargas

A Cidade, o Pôr do Sol e a Páscoa.



Os sinos repicaram incontáveis vezes anunciando os preparativos para a missa do sábado de aleluia. Eram 19h48min...a morte já tinha ocorrido...e a vida ainda não tinha chegado! Quando saí na sacada vi o brilho da escuridão do início de noite da Porto Alegre outonal. Linda, cheirosa e maravilhosamente iluminada a monumental capital do meu Rio Grande. A lua e as estrelas que banham com sua luz esse pedaço de mundo são cúmplices dessa beleza noturna; fazem parte da imagem negro-dourada que abriga e conforta mais de um milhão de privilegiadas almas, oriundas de muitos rincões. Outro dia uma colega de ônibus da escola falava: "...trânsito horrível, cidade violenta, mal cheirosa, barulhenta...". E ela ouve calada. Ela, que é tão quieta; tão agredida pelos disparos que absorve, pelos dejetos que engole e ainda pisoteada pelos deslocamentos dos homens e suas máquinas. Mesmo assim acorda sorrindo, recuperada pela tregua imposta pelo sono dos habitantes, e passa o dia se ofertando aos viventes, que a usam como se dela nunca mais fossem necessitar...e ainda assim, quando a noite ameaça chegar, entrega a eles um sonho de imagem que o rio e o sol constroem, parceiros numa homenagem silenciosa e infinitamente bela e ensinando que o a morte... é a parte mais nobre da trajetória da vida.
taddeu vargas