
Hoje eu entendo porque não dançava quando tocavam músicas do Eric. Era uma espécie de respeito pela genialidade do maior músico vivo dos dias atuais. Eu arranjava uma desculpa e convidava a companheira de danceteria para beber alguma coisa. E da copa, ou da mesa, eu fechava os olhos e tentava absorver a combinação de sons vindos de diferentes pontos da sala, que se harmonizavam em seu efeito estereofônico, antes de chegar a meus ouvidos e tocar meu coração... embalar minha alma, com os acordes inequívocos da guitarra sagrada e me levar para muito longe, onde habitam os anjos compositores das maiores canções do Universo.
Acho que o Eric veio de lá, ou mora lá e as vezes se fantasia de gente, para aqui na terra tocar e cantar as músicas que ecoam pelo cosmos, habitado por seres mais evoluídos... gênios dotados de virtudes supremas; anjos da ribalta celestial, que encarnam como coadjuvantes nos shows terrenos do grande Mestre.
Santa véspera de feriado, que abre a janela para que eu ouça e veja a energia mágica do ser sutil vestido de homem, na forma de ondas sonoras e coloridas que invadem meu chão, iluminando e embalando a noite antes habitada pela saudade e a solidão.