Minha primeira experiência explícita com a religiosidade foi a preparação e ao final dela, a cerimônia da minha primeira comunhão. Na época, e por tratar-se de um colégio de freiras católicas, esta solenidade era um evento dos mais importantes do calendário anual da comunidade escolar.
Foram meses de catequese e reuniões de treinamento para a missa dominical, onde prestamos compromisso para com os dogmas da igreja católica; preparativos da indumentária (terno escuro, camisa branca e gravata) e aquisição dos adereços obrigatórios para a solenidade (livreto, rosário, vela, etc...), como revelam as fotos em destaque no hall de entrada da casa de minha mãe.
Coincidentemente, os dois compromissos que assumi com Deus, de terno e gravata, dentro de sua casa, na minha juventude, não consegui cumprir. Mas da segunda promessa falaremos mais adiante.
Essa prática de fardar o sujeito aos sete anos de idade, para parecer adulto, e assim mostrá-lo pronto para assumir um compromisso para a vida toda, e que trata de questão tão significativa de sua vida, - suas escolhas espirituais - não poderia mesmo dar resultado.
O casamento, outro dos sacramentos da igreja, não se diferencia muito da primeira comunhão, a roupa, a pompa e a promessa se equivalem. Esta última também não consegui cumprir.
taddeu vargas
As mais belas frases não foram escritas, foram sentidas ou sonhadas. As palavras não conseguem reconstruir a grandeza dos sonhos e dos sentimentos, nem mesmo demonstrá-los, nas suas riquezas de conteúdo, mas virá o dia em que os blogs serão mentais, ou sentimentais, em vez de virtuais. Nesse dia cada um saberá quais os textos que lhes cabem. Taddeu Vargas
23 fevereiro 2009
Amor Difícil

Este texto estava escrito desde o dia 7 de janeiro. Com pequenas alterações ele vai ao ar agora, pois na época faltava clareza de raciocínio, ou inspiração para completá-lo.
Há pouco mais de um ano o Universo atualizava uma das mais esperadas de minhas escolhas e me entregava aquela que viria ocupar o espaço do meu coração tão cuidadosamente reservado à mulher que quebraria o encanto da minha voluntária solidão.
O passo seguinte seria enfrentar o desafio do desequilíbrio e chegar vivo do outro lado.
Ao longo desses meses sempre vi com inveja aqueles mágicos momentos, pela coragem exigida pelas leis da vida, à protagonista da invasão dos mais sagrados redutos do meu utópico isolamento.
Depois viriam novas provações, ou provocações, quase mortais para o projeto de vida do mais lindo de todos os enredos de amor da vida do marujo, que singrara milhas e aportara na terra da corajosa protagonista dos primeiros encontros, devolvendo o gesto.
Aparentemente vivo e tendo vencido tantos desafios, busco agora saber o que colhi.
taddeu vargas
08 fevereiro 2009
Desafio do Desequilíbrio II

O apego material funciona como uma âncora que não permite o vôo do pássaro, ou a partida da humana nau do marujo, rumo às desconhecidas, mas amistosas águas do etéreo, na necessária viagem ao seu interior.
Esse foi o maior obstáculo para o projeto de crescimento espiritual que acabou por redesenhar o ora aprendiz de escritor.
Quando essa fase estava sendo superada, o Inventor da sabedoria testou sua obra, colocando no caminho do discípulo sua meia alma.
Existem momentos na vida que não se precisa de uma certeza. Uma dúvida já é suficiente. Esses momentos são difíceis, mas definem uma vida.
O amor chegou sorrateiro, disfarçado de saudade, e no início pegou o marujo blindado pelo medo. Até hoje ainda arrepia um pouco...
Aos poucos o desafio foi sendo entendido como a espada que traria o equilíbrio entre o desapego imperativo e o amor humano indispensável.
O desafio do desiquilíbrio somente foi superado porque uma obra imensa dependia disso. Esta certeza inconsciente costurou - e continua mantendo - uma relação complexa e cheia de descaminhos, mas que carrega um amor do tamanho de toda essa conspiração.
taddeu vargas
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